A VOZ DO SARGENTO PIMENTA


UMA GERAÇÃO SOLIDÁRIA.COM

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Outro dia estava folheando uma revista e me deparei com uma matéria a respeito da maior repercussão na história da internet: mais de 100 milhões de acessos a um vídeo em seis dias. A campanha, chamada de Kony 2012 - veiculada via Youtube -  “denuncia” um homem de Uganda, na África central, chamado Joseph Kony. O cara, de acordo com o vídeo, sequestra crianças para transformá-los em milicianos a serviço das centenas de facções guerrilheiras que disputam poder no continente africano. Em poucos dias “o mundo comoveu e mobilizou-se para ajudar as pobres crianças africanas”. A Ong que divulgou o vídeo lançou umas pulseirinhas que, pela web, poderiam ser compradas por 30 dólares. O dinheiro, dizem, seria utilizado na campanha para prender Joseph Kony. Até aí tudo bem, até posso crer que o dinheiro vá para algo humanitário. O problema é como as coisas ocorreram. E o que foi revelado.

Eu li a reportagem do caso na revista Veja. Por incrível que pareça, o discurso era de “olhem como os jovens são antenados, engajados e preocupados”. Mostraram alguns desses jovens engajados – todos explicitamente de boa condição social e com Ipads nas mãos (coincidência, a Veja recentemente oferece seu conteúdo em versões exclusivas para esse dispositivo). Havia uma menina que dizia “ Depois de assitir ao vídeo, estou decidida a ir para a África prestar trabalho voluntário”. Oras, a África é aqui. Esta garota já poderia ajudar se ao menos prestasse atenção no moleque fazendo malabares no semáforo diante da SUV do ano em que provavelmente ela anda. E isto na própria cidade dela, sem ter de ir à África. Um outro rapaz mostrado na reportagem, aluno de uma das escolas mais caras de SP, disse que “após doar 60 dólares para a campanha, virei comentário na escola” E ainda disse: “vamos para a Av. Paulista”. Na mesma reportagem era mostrado outros vídeos que faziam parte de um seleto grupo dos que foram acessados por mais gente em menos tempo. O primeiro é o citado neste post, seguido por outros de irrelevância indiscutível como Susan Boyle ao vivo, Lady Gaga rebolando num clipe, uma tal de Rebecca sei lá o quê – ela canta uma música que repete a palavra Friday incessantemente -  e um clipe do “incopiável” Justin Bieber. A partir do ranking já fazemos ideia do tipo de público que faz a internet uma potência da comunicação. Fora o fato da sensação reconfortante de que “você está ajudando o mundo”. O cara está em seu quarto, com ar-condicionado, Tela 42, Ipad de última geração, usando uma boa roupa e, entre uma olhada no Twitter de alguém famoso e uma curtida no Facebook de alguém, ele fica sabendo de uma campanha para ajudar os anões tiroleses que estão sem Playstation. É só comprar um souvenir de uma Ong e pronto: você fez um mundo melhor. Com o cartão de seu pai, é lógico. É a revelação patente da comercialização da bondade, uma verdadeira brincadeira de ajudar. Brincadeira de mau gosto. Atitude tão verossímil quanto a ilustração desta postagem.

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Radio Gaga do Queen

 

OBS: É evidente que eu não deixaria vocês sem o link do famigerado vídeo. Só não vão chorar e dizer que agora fazem parte da legião dos bonzinhos ao comprar uma pulseirinha.

http://www.youtube.com/watch?v=LE_DgntYbpw



Escrito por SGT. PIMENTA às 13h56
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