A VOZ DO SARGENTO PIMENTA


UMA GERAÇÃO SOLIDÁRIA.COM

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Outro dia estava folheando uma revista e me deparei com uma matéria a respeito da maior repercussão na história da internet: mais de 100 milhões de acessos a um vídeo em seis dias. A campanha, chamada de Kony 2012 - veiculada via Youtube -  “denuncia” um homem de Uganda, na África central, chamado Joseph Kony. O cara, de acordo com o vídeo, sequestra crianças para transformá-los em milicianos a serviço das centenas de facções guerrilheiras que disputam poder no continente africano. Em poucos dias “o mundo comoveu e mobilizou-se para ajudar as pobres crianças africanas”. A Ong que divulgou o vídeo lançou umas pulseirinhas que, pela web, poderiam ser compradas por 30 dólares. O dinheiro, dizem, seria utilizado na campanha para prender Joseph Kony. Até aí tudo bem, até posso crer que o dinheiro vá para algo humanitário. O problema é como as coisas ocorreram. E o que foi revelado.

Eu li a reportagem do caso na revista Veja. Por incrível que pareça, o discurso era de “olhem como os jovens são antenados, engajados e preocupados”. Mostraram alguns desses jovens engajados – todos explicitamente de boa condição social e com Ipads nas mãos (coincidência, a Veja recentemente oferece seu conteúdo em versões exclusivas para esse dispositivo). Havia uma menina que dizia “ Depois de assitir ao vídeo, estou decidida a ir para a África prestar trabalho voluntário”. Oras, a África é aqui. Esta garota já poderia ajudar se ao menos prestasse atenção no moleque fazendo malabares no semáforo diante da SUV do ano em que provavelmente ela anda. E isto na própria cidade dela, sem ter de ir à África. Um outro rapaz mostrado na reportagem, aluno de uma das escolas mais caras de SP, disse que “após doar 60 dólares para a campanha, virei comentário na escola” E ainda disse: “vamos para a Av. Paulista”. Na mesma reportagem era mostrado outros vídeos que faziam parte de um seleto grupo dos que foram acessados por mais gente em menos tempo. O primeiro é o citado neste post, seguido por outros de irrelevância indiscutível como Susan Boyle ao vivo, Lady Gaga rebolando num clipe, uma tal de Rebecca sei lá o quê – ela canta uma música que repete a palavra Friday incessantemente -  e um clipe do “incopiável” Justin Bieber. A partir do ranking já fazemos ideia do tipo de público que faz a internet uma potência da comunicação. Fora o fato da sensação reconfortante de que “você está ajudando o mundo”. O cara está em seu quarto, com ar-condicionado, Tela 42, Ipad de última geração, usando uma boa roupa e, entre uma olhada no Twitter de alguém famoso e uma curtida no Facebook de alguém, ele fica sabendo de uma campanha para ajudar os anões tiroleses que estão sem Playstation. É só comprar um souvenir de uma Ong e pronto: você fez um mundo melhor. Com o cartão de seu pai, é lógico. É a revelação patente da comercialização da bondade, uma verdadeira brincadeira de ajudar. Brincadeira de mau gosto. Atitude tão verossímil quanto a ilustração desta postagem.

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Radio Gaga do Queen

 

OBS: É evidente que eu não deixaria vocês sem o link do famigerado vídeo. Só não vão chorar e dizer que agora fazem parte da legião dos bonzinhos ao comprar uma pulseirinha.

http://www.youtube.com/watch?v=LE_DgntYbpw



Escrito por SGT. PIMENTA às 13h56
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NÃO SEI O QUÊ MAS SOU CONTRA!

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Compreende-se que muita coisa dá nojo. Mas o fim da picada ultimamente tem sido as manifestações em defesa do indefensável. Já vimos protestos de várias ordens ao longo do tempo, a maioria absoluta por algum motivo plausível, como, por exemplo, atos contra a corrupção. Mas nos últimos tempos o que se tem visto é uma enxurrada de gente desocupada que sai às ruas para exaltar-se contra o bom senso. É gente defendendo drogado, invasões de propriedade e contra pseudo-atentados à ecologia. Observem a foto. Olhem os manifestantes. Brancos, bem vestidos e “revoltados”. Com o quê?! Dizem que organizam as manifestações pelas redes sociais. As mesmas redes sociais que elegem imbecis do calibre de Rafinha Bastos como “a pessoa mais influente do Twitter”. De dentro de seus confortáveis quartos com ar-condicionado, eles organizam manifestações contra Belo Monte. De dentro de seus seguros apartamentos, eles organizam manifestações contra a polícia. Na volta de seus fins de semana em suas casas de praia eles organizam manifestações contra a reintegração do Pinheirinho. De dentro de suas vidas e mentes vazias eles tentam brincar de gente engajada. Vejam por exemplo o caso da Cracolândia. Só quem nunca conviveu com a podridão do mundo do Crack pode ser contra a ocupação daquela região. Crack não é brincadeira, muito menos os noias o são. È gente que rouba e que pode até mesmo matar. Mas para “os engajados”, são pobres vítimas sociais. Não duvido que o problema social é, frise-se, uma das causas da epidemia de Crack. Mas a partir do momento em que uma região é tomada por uma legião de psicos, a coisa passa a ser, indubitavelmente, um problema de polícia. Na cracolândia existem pessoas normais que vivem lá. Ninguém organizou um protesto pela segurança dessas pessoas. No caso do Pinheirinho idem: ninguém organizou pela rede social um protesto contra a formação da favela, ninguém organizou um protesto pela lentidão da justiça em demorar sete anos e 6000 moradores depois para desocupar o terreno. A questão aqui não é se a polícia agiu certo ou não. A questão é a falta de bom senso de meia dúzia que se acham nos anos 60 e ficam brincando de Primavera Árabe. A menina da foto empunha o cartaz contra a PM. Com certeza ela mora num bom bairro, estuda num bom colégio ou graças a este colégio está numa faculdade pública. Ela não sabe que um soldado da PM ganha pouco mais de 1300 reais por mês, que faz bico de segurança na Padaria que ela compra pão, que vive em um país – conforme o post anterior – em que todo mundo acha que não tem dever e certeza de que tem direito, onde educação é algo raro. Ela vive em um mundo no qual a maioria não faz parte. De sua TV 52 LED 3D e de seu IPAD novinho ela acompanha o mundo e se indigna com o que vê fora do bairro dela. Mas abrir mão do mundinho confortável e climatizado ela não quer. Hippies não possuem bens, moram nas ruas e suas manifestações estão no modo de vida e não em cartazes. Mas isso não é legal, é a antítese da essência dessa molecada branquinha-desocupada-que tem nojo de pobre-pseudosocialistas.

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Morro Velho de Elis Regina



Escrito por SGT. PIMENTA às 17h31
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O BRASIL LEGAL

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Notícia 1: Roubado, professor rastreia tablet, aciona PM, mas fica sem aparelho. A polícia primeiramente alegou, durante a fuga do ladrão – que estava sendo rastreado – que a viatura não poderia sair de sua área. Depois, ao acionar uma delegacia e mostrar em seu Iphone o endereço do ladrão, onde estava seu Ipad roubado, a vítima foi informada que sem mandado a polícia não poderia recuperar o tablet.

Notícia 2: Secretário de Educação critica 'caça' a aluno que cabula aulas. Foi montada, nas proximidades do Parque do Carmo, ZL de São Paulo, uma força-tarefa envolvendo Conselho Tutelar, Guarda Municipal e Polícia Militar com a incumbência de recolher alunos de escolas próximas, combatendo a evasão escolar e uso de drogas. Este fato provocou indignação no Secretário Municipal de Educação, Alexandre Scheneider. Este alega que a polícia não pode usar a força para obrigar os alunos à irem para o colégio, isso não é adequado.

Prestaram atenção nas notícias? O que concluímos? Que algumas de nossas principais leis estão aí mais para atrapalhar do que ajudar nossa sociedade. Indubitavelmente. Na primeira notícia, uma vítima de assalto rastreou o ladrão, em tempo real, foi à polícia – como ela mesma recomenda – e ouviu das otoridades que nada poderiam fazer. A polícia não está errada, afinal ela tão somente seguiu a lei! Na notícia dois, o tal do secretário, muito malandramente, posou de defensor dos coitadinhos – coisa que nossos políticos adoram fazer – e usou a lei, sim a lei (o famoso ECA) para criticar a força-tarefa que, coisa feia, só estava querendo tirar os adolescentes das ruas e mandá-los para a escola. Mas no Brasil das leis que servem, quase sempre, para privilegiar o erro isto foi um ato condenável.

Esses só foram dois exemplos dentre os zilhões que ocorrem neste país. O Bom senso e a inteligência são desafiados diariamente pelos nossos legisladores (traduzindo: Deputados, Senadores e por vezes o Executivo). Nossa constituição foi promulgada três anos apenas após o fim da Ditadura, de modo que nossa Carta Magna foi elaborada sob um enorme clima revanchista, trazendo leis que são maravilhosas, visionárias e humanistas em qualquer país civilizado. Coisa que o Brasil está longe de ser. O Estatuto da Criança e do Adolescente idem. Nossa legislação privilegia os direitos em total detrimento dos deveres. Você acha que os presidiários deveriam trabalhar, como ocorre naquele pobre país conhecido como EUA, não é mesmo? Pois bem, o artigo 5º de nossa lei maior proíbe terminantemente trabalho forçado, de modo que os pobres presidiários podem planejar crimes e usar drogas à vontade, já que a lei garante isso. Se um menor de idade for pego na rua, em horário de aula, não poderá ser molestado e encaminhado para a escola ou para casa, já que o ECA afirma que o menor não pode ser constrangido. Todas essas leis, vigentes há quase 25 anos, produziram uma geração que não aceita ordens, que se acha injustiçada e que deseja seus direitos sem cumprir minimamente qualquer dever. Leis que garantem que assassinos fiquem apenas dois anos presos, mães que não trabalham terem filhos matriculados em creches, menores que podem agredir professores impunemente e daí por diante. Enquanto isso a maioria absoluta dos brasileiros não sabem para que serve um deputado ou um vereador. Mas que importância isto tem? Afinal o Big Brother já vai começar, sediaremos a Copa 2014 e somos a 6ª economia do mundo!  Nossas leis são tão racionais quanto a ilustração deste post.

 

O SARGENTO

OBS: As notícias citadas no início do post encontram-se nos seguintes links:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1021065-roubado-professor-rastreia-tablet-aciona-pm-mas-fica-sem-aparelho.shtml

e http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1013137-secretario-de-educacao-critica-caca-a-aluno-que-cabula-aulas.shtml



Escrito por SGT. PIMENTA às 21h34
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BRINCANDO DE DITADURA

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Todo mundo acompanhou a “revolta” dos alunos de Humanas da USP, certo? Pois é, e como a maioria também fiquei bastante indignado e, sobretudo estupefato em ver tamanha falta de bom senso e neurônios.  Claro que não formei minhas conclusões lendo a revista Veja. Nem tão pouco lendo o boletim do PCO. O fato: muita gente dentro da maior universidade da América Latina pensa que pelo fato de estar lá está acima da lei, ou seja: não pode em tempo algum ser molestado por fumar seu baseadinho. Essas pessoas alegam que não poder fumar seu baseadinho é um atentado a liberdade. Aí eu me pergunto: e fumar o baseadinho fora da USP, mais precisamente em um bairro próximo a ela, como Paraisópolis? Já pensou no morador de Paraisópolis alegando durante um enquadro da PM que tal atitude dos policiais fere sua liberdade? Pode ter certeza que não seriam tão educados como foram na desocupação do prédio da reitoria. Pois é meus caros, a grande verdade é que  os tais estudantes uspianos precisam de uma boa dose de realidade, coisa que falta dentro daquele ambiente e explico. Seus estudantes, em maioria, são oriundos das classes mais abastadas – os “revoltosos” adoram esta expressão – e sendo assim sempre estudaram em bons colégios, passavam suas férias em casas de praia (quando não viajavam para fora), moram em boas casas e certamente possuíam bons brinquedos. Logo nunca puderam conceber uma ideia de que a polícia que serve exatamente para protegê-los dos pobres, pudesse enquadrá-los como fazem há 500 anos com – vou usar outra expressão que eles adoram – as classes menos favorecidas. Realmente, deve ser complicado para o filhinho da mamãe ouvir de um policial – conforme eles disseram – semi-analfabeto palavras de ordem, onde já se viu. Então alegam que cumprir a lei é uma ofensa a liberdade. Nas aulas só se fala de Marx, Lênin, Fidel e de como o Brasil é burro em não adotar as maravilhas do socialismo.  Só não falam que atrás da faculdade existem favelas, com moradores que jamais terão a oportunidade de freqüentar a USP. Aí você pega um cara que não faz nada além de ficar dentro da faculdade e que está com os hormônios a mil e pronto: um monte de babacas brincando de ditadura militar.        Eu não estava lá, mas o pouco que vi como cartazes dizendo “Abaixo a Ditadura”, “Abaixo a Repressão” e coisas do gênero, pareceram-me tirados direto dos tempos da já citada ditadura, que se fosse vigente neste momento, faria com que estes cidadãos nem começassem a brincadeirinha e teriam coisas mais sérias para se preocuparem. Estes estudantes esquecem durante a brincadeira de guerrilheiro que neste ano um colega deles foi barbaramente assassinado dentro do campus, o que legitimou a presença da PM neste local. Triste saber que isto é o futuro do país. Mais triste ainda é saber que fazem parte da elite estudantil brasileira. Isso é o universitário de hoje: produz sertanejo, pagode, forró e guerrilheiros de mentirinha. Foi-se o tempo que a universidade produzia apenas os pensadores. Pare o mundo que eu quero descer.

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Rádio Blá Blá do Lobão

 



Escrito por SGT. PIMENTA às 21h03
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O PROFESSOR COITADINHO

 

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Ontem foi “comemorado” o Dia do Professor. Se analisarmos, o dia do professor entra na mesma categoria do Dia das Mulheres, Dia da Consciência Negra, Dia do Índio... em suma, uma data compensatória. Durante um dia o professor é homenageado em prosa em verso até em programas televisivos onde a boçalidade é imperativa. Mas e nos outros 364 dias ? Oras, aquilo que todos sabem: professor é ignorado, principalmente por aqueles que deviam ser os mais atentos. Liste aí alunos, pais e governos. Nesta ordem. Mas o que mais prejudica a categoria que se não é a mais importante está certamente entre as mais, são os focos distorcidos. Como assim Sargento? Explico. Discurso um: a educação precisa de mais verbas. Equívoco. 25% de tudo o que é arrecadado em imposto – e olhe que o Brasil é um recordista neste quesito – deve ser, previsto em lei, investido em educação. O problema é o que se faz com este dinheiro, que pelos caminhos governamentais se perde com facilidade ou é investido em obras eleitoreiras, tais como a construção de prédios superfaturados ou em programas destinados ao fracasso. Discurso dois: professor é mal remunerado. Este raciocínio é quase unânime. Então vamos aos fatos: a média salarial do professor da rede pública no país é de 2.500,00. Sim, um salário que com certeza está longe do ideal, principalmente para um profissional com nível superior, mas que também está longe de proporcionar mendicância a quem exerce a docência. O fato é que grande parte da classe, principalmente na rede pública, simplesmente NÃO QUER TRABALHAR. Sim. O cara quando passa em um concurso, seu primeiro pensamento é sair da sala de aula e entrar na burocracia. Um fato! Quando não consegue entrar na tão almejada burocracia, vive a reclamar que ele não possui condição de trabalho, que não possui estímulos e afins. Mas é o mesmo que não possui compromisso com o ato de educar e adora dizer que segundo Paulo Freire... e no fundo nunca leu um clássico e sabe de cor os vencedores e participantes do BBB. O exemplo clássico do que é o professor hoje é a professora Amanda Gurgel, da rede pública do Rio Grande do Norte. Já faz alguns meses, esta moça fez um discurso na assembleia legislativa de seu estado onde o lugar-comum sobre a educação foi reinante. Disse por exemplo que o professor “não ganha o suficiente para colocar gasolina em seu carro”. Mas se ele é tão miserável, como possui um carro? O discurso de Amanda foi parar no Youtube, causando celeuma na rede, provocando até sua ida ao Domingão do Faustão. Confirmando o que escrevi sobre a mentalidade da classe, após a repercussão a professora filiou-se ao PSTU e promete ser candidata na eleição do ano que vem, ou seja: bye bye sala de aula, graças a Deus.

O professor deve parar com este discurso de que passa fome. Isso só fragiliza a categoria. O professor precisa se valorizar antes de pedir valorização. Isso envolve compromisso, ímpeto e paixão. Estudem, procurem algo melhor, colégios em que se pague mais. Sim, eles existem. Mas deixo um aviso: nestes colégios não entram sindicatos pelegos, cargos indicados, discursos vazios. Entra trabalho, muito trabalho, coisa que grande parte dos professores não está nem um pouco a fim. Duvida? Converse com algum professor de rede pública e veja seu discurso.

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Sweet Emotion  do Aerosmith

 

OBS: Para quem não viu o vídeo desta verdadeira mártir da educação acesse aqui http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA

 

 

 

                                                                                                                              

 

 



Escrito por SGT. PIMENTA às 19h09
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O SONHO BRASILEIRO

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Após uma série de observações feitas por este velho militar, concluí algo que merecia uma postagem: O SONHO BRASILEIRO! Como assim sargento, você vai falar da Copa do Mundo, do fim da fome? Não. Este não é o sonho brasileiro. Gostaria só de manifestar que estamos indo para o buraco. E a passos largos. Vejam, existe um conceito chamado “O Sonho Americano”. Foi uma expressão cunhada nos anos 30, durante a grande depressão nos EUA e que rapidamente virou um mantra. “O Sonho Americano” prevê que todo cidadão norte-americano deverá ter oportunidades iguais de educação e saúde e que, após uma combinação de esforços, incluindo muito trabalho, o cidadão consegue, dentro da filosofia do “Sonho Americano”, finalmente vencer na vida. Prestem atenção, após muito trabalho, na escola e na vida, o cidadão consegue ser um vencedor. Pois bem, este é o Sonho Americano. E o Sonho Brasileiro? É quase igual. O cara tem de ser um vencedor. A diferença é que para o brasileiro, educação e trabalho não estão inclusos no sonho, isso até seria um pesadelo! Os valores que estão passando para nossos jovens é que os exemplos de sucesso são justamente de pessoas que pouco se esforçaram na vida para serem vencedores. Ou você acha que o Neymar, a Maria do Big Brother, a Luciana Gimenez e as demais “celebridades” que povoam os sites de fofoca, as (inúteis) redes sociais e a Tv foram pessoas que batalharam anos a fio na vida, passando pela educação e pelo trabalho para atingirem o sucesso? Pois é. O conceito de sucesso hoje é ser jovem, rico e famoso. Como você conseguiu? Não importa. O que possui verdadeira importância hoje é só o sucesso pelo sucesso. Educação e trabalho são coisas de otários, gente que está deixando de se divertir para ficar estudando ou trabalhando. Isso não tem valor. Partindo deste raciocínio, concluímos que, provavelmente, nossos pais são perfeitos idiotas. Como assim sargento? Sim, afinal nossos pais sempre trabalharam, não são celebridades da TV, não são atletas que mal sabem falar e escrever e nem tão pouco foram capa da Caras ou da Quem. Então com certeza nossos professores, nossos médicos, o dono da padaria e principalmente nossos pais, não realizaram o sonho brasileiro. São autênticos fracassados e perdedores. Tão quão esta geração que está vindo aí. 

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de The New Kid In Town dos Eagles



Escrito por SGT. PIMENTA às 12h11
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BOLSONARO ESTÁ ERRADO?

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Muito bem, 2011 está sendo deveras exigido, tanto que só agora me dou conta de que este é o primeiro post do ano e, atendendo a pedidos este velho militar está de volta e hoje para falar de um colega de farda, o Capitão do exército e agora deputado federal Jair Bolsonaro, o homem mais falado das últimas semanas. Vejam só que coisa, em 25 de janeiro do ano passado eu havia postado um texto no qual elogiava  Bolsonaro por ser o único político deste país que teve a coragem de defender um controle de natalidade em mulheres pobres (podem conferir neste mesmo site). À época afirmei também que Bolsonaro pertence a um partido extremamente suspeito – o PP do sr. RRota na RRua -  que é um intransigente defensor do governo militar, da tortura entre outras ideias um tanto, diferentes. Agora a polêmica é em torno da homofobia. O deputado vive dizendo que casamento gay, lei anti-homofobia e afins são grandes absurdos tal qual a condição de ser gay. Imediatamente os politicamente corretos manifestaram-se com veemência contra o deputado, só não o chamando de santo.

Entendo que Jair Bolsonaro é um deputado falastrão, afeito a polêmicas as quais atrai holofotes e desviando essas luzes de fatos como o seu pouco caso diante de casos de corrupção, os inúmeros benefícios parlamentares entre outros. Mas a verdade deve ser dita: Jair Bolsonaro é um mal necessário. Explico.

De 15 anos para cá, uma onda politicamente correta invadiu nossas vidas. De repente tudo o que incomodava alguns virou regra. Não podemos fumar, não podemos comer gordura, não podemos beber, não podemos, não podemos, não podemos! Tudo dentro de um discurso fantástico onde somos obrigados a sermos saudáveis, ricos, lindos e felizes. Oras, isso já foi retratado na obra-prima Admirável Mundo Novo, do genial Aldous Huxley. Neste livro a sociedade era saudável, rica, linda e ...feliz? Este velho militar pensa que tudo aquilo que é obrigado não pode ser bom, senão não seria obrigado, não é mesmo? Um mundo onde estão tentando nos obrigar a sermos felizes não pode nos trazer felicidade. Uma das boas maneiras politicamente corretas é aceitarmos os gays. Ótimo, eles para lá e nós para cá. É fato. Antes de mais nada, possuo amigos homossexuais, que trabalham, são inteligentes e boas pessoas. Disse homossexuais e não bichas-loucas, estes sim, a maioria, que nos forçam a aceitá-los e que são a razão de todo o desprezo e manifestações ditas homofóbicas. Do mesmo jeito que um homem e uma mulher se amassando em um lugar público é ofensivo, dois homens também o são e isso não pode ser chamado de homofobia. As minorias tem que entender que muita gente não gosta de certas coisas. Se uma pessoa não gosta de negros, gays, de pagode, de imbecilidade na televisão, de comer arroz ela deve ser respeitada. Por outro lado, a pessoa que gosta também deve. Cada qual em seu quadrado e cada rei em seu baralho, só isso! Por isso minhas considerações, novamente, ao deputado Jair Bolsonaro. É triste, mas temos que assumir que o homem tornou-se o porta-voz do anti politicamente correto.

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de I Heard Through The Gravevine de Marvin Gaye



Escrito por SGT. PIMENTA às 15h39
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RETROSPECTIVA DA DÉCADA

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Chegamos em 2011. Puxa, a primeira década do séc XXI terminou e com ela as inevitáveis conclusões após esses, digamos estranhos 10 anos. Estranhos porque este velho militar observa que certos comportamentos e conceitos mudaram radicalmente, justamente os que não tinham que ser mexidos. Outros, em compensação, os que deveriam mudar, permanecem exatamente os mesmos. É claro que explico. As relações mudaram. O que era permeado pelo contato tornou-se virtual. Lembro quando vi um cara na faculdade pedindo o MSN de alguém. Este velho militar oriundo de Itanhaém ficou um tanto surpreso “ué, não deveria ter pedido o telefone?”. E o ano era 2004. Seis anos e vários sites de “relações sociais” depois eu ainda fico surpreso. Como as pessoas aceitam certas novidades, para lá de rasas e fúteis, com total crença e hábito? E o que deveria ter sido mudado? A mesma ferramenta que mudou as tais relações, poderia ter provocado a verdadeira revolução. O conhecimento nunca foi tão fácil. Não nos esqueçamos que conhecimento sempre foi uma arma perigosa, ainda mais se fosse massificado. A internet proporcionou isso. E o que fizemos com ela? Lógico, o de sempre, o mesmo que fizeram com o rádio, com a TV, com a mídia impressa: entretenimento raso e alienação em massa. Ou vocês acham que o sistema deixaria barato. Voltando a retrô da década, os anos 2000, logo de cara, já acenaram com a sua tônica, que, aliás, de novo não tinha muita coisa: a barbárie provocada pela desigualdade. 11 de setembro de 2001. Esta é a data oficial do início da década, o momento histórico em que o século começava. Ali a nova ordem estava decretada. Os islâmicos seriam os inimigos da vez. E quem decretou isto? O verdadeiro inimigo da paz, sr. George Bush. Em nome de Deus – há quanto séculos esta é a justificativa? – Mr. Bush iniciou uma nova cruzada em busca dos infiéis. Como sempre os Bárbaros, os Mouros os que não possuem olhos azuis. Mas um povo que não possui olhos azuis fez a terra tremer. Os chineses despontaram nos últimos 10 anos como “o exemplo a ser seguido”. Taxas de crescimento estratosféricas, conquistas tecnológicas, avanços políticos e militares. Mas engraçado, antes disso a opinião pública ocidental os consideravam uma ditadura sanguinária que crescia a custa de um desumano sacrifício de seu povo, povo esse que passava fome e trabalhava como escravo. Agora não. 10 anos depois a China é considerada um modelo, pois até mesmo na crise mundial resistiu incólume e seguiu adiante, assombrando o mundo. Em 2008, nas olimpíadas de Pequim, este país fez questão de mostrar ao planeta que agora eles não são mais aquele país da grande marcha do Mao Tse Tung. Agora eles eram uma verdadeira potência. E a mídia ocidental, da noite para o dia, só se refere a China como um país exemplar. Por acaso a ditadura de lá acabou? As prisões arbitrárias, a ausência de liberdade de expressão, o total desrespeito ao meio ambiente acabaram nestes 10 anos? Claro que não. Mas sabe aquele cara que era pobre batia na mulher, bebia, estava nem aí para os filhos e que ninguém considerava e que após ficar rico passa a ser respeitado como um homem de dignidade incontestável? Então, isso é a China.

Então concluímos que em nível mundial, esta década que termina deixa o seguinte legado: um lugar onde preconceitos medievais permanecem imutáveis mas que neste mesmo lugar é vendida a ideia de que nunca vivemos tanta liberdade e alegria graças aos inúmeros e insanos avanços tenológicos e que uma nova ordem mundial está em curso: uma europa decadente e em frangalhos, o avanço emergente e alguém fazendo sombra aos EUA. O problema é que o desenvolvimento desses emergentes e da China se pauta na mais profunda desigualdade. Esta sim, o grande herança dos anos 2000 até aqui.        

 

O SARGENTO / ANO VI

Este post foi feito ao som de Verdade Chinesa de Emílio Santiago.



Escrito por SGT. PIMENTA às 13h43
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RETROSPECTIVA DA DÉCADA BRASIL

 

 

E aqui na Terra de Santa Cruz. Como foram estes anos 2000? Cito um trecho de uma música do saudoso Cazuza: “eu vejo o futuro repetir o passado...”. Sem, dúvida, esta foi a década do Luis Inácio. Nunca antes na história deste pais... Nunca antes uma conversa! Para os mais velhos, o misto de Getúlio Vargas com Juscelino não soou novo. Para o empresariado e para os banqueiros também não. Nem a tão propagada redução da desigualdade social foi tão novidade assim. Getúlio a fizera com muito mais impacto do que o Luis Inácio. O grande mérito de Luis Inácio foi a trazer novamente para a pauta do país. Coisa que desde o Getúlio não era feito. Não falo nem do Bolsa Família, mas sim da elevação substancial do salário mínimo, a criação de 15 milhões de empregos formais, fora a enorme facilitação no crédito imobiliário. Mas a grande sacada do Luis Inácio nada mais foi do que recorrer ao passado: a decisão de manter a bem sucedida política econômica de seu antecessor, o injustiçado FHC, que foi o motriz do enorme sucesso do governo Luis Inácio. Tem gente que diz que ele aproveitou os ventos a favor da economia mundial. Balela. Ele passou pela maior crise em 70 anos e saiu dela com um país fortalecido economicamente e sua imagem consolidada como emergente respeitável. Por essas e outras que não digo que ele foi o melhor presidente, mas sem dúvida foi um dos menos piores.

Mas e o outro lado? Nesta década que passou, vimos, na maior parte dos setores, o país escorrer pelo ralo, mais do que já estava. Até com terrorismo passamos a conviver. Ou os ataques do PCC em 2006 foi o quê? O crack agora é visto, com 20 anos de atraso, como epidemia.  A cultura do país nesta década apresentou expoentes do porte de Luan Santana, MC Creu, Felipe Dylon e demais pragas. Na literatura monstros como Paulo Coelho e Augusto Cury fizeram a festa e em nossa fantástica TV a febre dos reality shows. Que de realidade até hoje eu não vi. Outra marca da década foi a oficialização da corrupção. Não que isto tenha aumentado ou diminuído. È que os anos Luis Inácio a tornaram oficial e aceitável. Depois do mensalão, onde o presidente na maior desfaçatez disse “sei de nada” a coisa descambou. Ser pego em corrupção hoje já não representa o fim de uma carreira política. Basta ver que o o sr. RRota na RRua continua a obter recorde de votos nas eleições que disputa. Uns dizem que os tecnocratas assumiram o poder de vez no Brasil e que a ascensão do PT ao poder confirmou isso. Entretanto quando vejo que quem determina as coisas continuam a ser José Sarney, Renan Calheiros, Collor, Ricardo Teixeira, Roberto Civita, Os Mesquita, Os Marinho...vejo que os coronéis e doutores continuam a mil com suas canetas e com seus privilégios. Mesmo em pleno ano 2011. E o Brasil continua com metade de sua população sem saber interpretar um texto simples.

Após esta última década, percebo que o brasileiro agora possui um carro financiado em sua garagem, um filho semi alfabetizado matriculado matriculado em uma UNI sei lá o que, acessando internet para saber as novidades do Orkut e assistindo em sua LCD 42 polegadas, o Faustão, o Pânico e o último DVD do pagodinho legal. E enquanto isso em Brasília...          

 

O SARGENTO / ANO VI

Este post foi feito ao som de Samba do Avião de Tom Jobim.



Escrito por SGT. PIMENTA às 13h40
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A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA, METRALHADORA E TANQUE

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

A imprensa está em êxtase, a população está em êxtase e, principalmente, as otoridades também em êxtase. Claro, as espetaculosas ações das “forças de segurança” em favelas – sim, não são comunidades, o nome é favela – cariocas vem garantindo a alegria das emissoras de TV e do governo. Milhares de soldados, armamento pesado, membros do governo fluminense e federal mostrando que são articulados. Tudo muito bom, mas e amanhã? E o principal: como chegamos a isso? Ah, para com isso sargento, as autoridades estão mostrando que o tráfico não manda em nada. Claro, então vamos aos fatos.

Na quarta-feira, quando houve a invasão a favela de Vila Cruzeiro, um fato ficou relegado a segundo plano: a multidão de traficantes fugindo por uma trilha em um morro. Mas Sargento, todo mundo viu essa cena. Sim, mas eu não vi nenhum dos tais especialistas falando sobre o óbvio: o que era aquela multidão de jovens fazendo parte de um verdadeiro exército do crime? O que este país está fazendo com seus jovens de modo que permite que estes, mesmo sendo moradores de uma das cidades mais ricas, das mais modernas e cosmopolitas sejam recrutados com tanta facilidade para o crime? Onde está o Brasil sede de Copa, Olimpíada, 5ª potência mundial? A ação do exército era necessária e foi, sem dúvida alguma, algo de extrema necessidade, coisa que já deveria ter sido feita há tempos. Entretanto, é assim que se resolve o problema? Então não existirá mais crime organizado no Rio, a partir da invasão? Este velho militar tem certeza que, da maneira mais brasileira possível, o sol será tapado com a peneira.

Ó crime pode ser mitigado sim, mas se querem um país minimamente civilizado, temos que começar a agir agora, para daqui a 20 anos começarmos a colher alguns frutos. Essa ação, por mais lugar comum que seja o discurso, só se dará através da educação. Mas não a educação que ultimamente tem sido o modelo adotado. Uma educação calcada em esmolas. Leia-se uniforme e material de grátis entre outras “benesses” que fazem a alegria do povão. Não adianta invadirmos favelas com tanques de guerra diante das câmeras se no dia seguinte o moleque da favela vai para a escola e a encontra suja, com seu professor desmotivado, – isso quando este vai e não está licenciado - sem laboratórios, sem uma atitude construtiva. Amanhã este mesmo moleque vai continuar olhando as cintilantes propagandas, vendo com o olho e lambendo com a testa. Aí, aos 16 anos, provavelmente fará um filho em uma menina de condições semelhantes. Por muita sorte assumirá a criança, fato que não é a regra. E a história continua. Depois dos tanques de guerra, dos holofotes, das entrevistas ufanistas, fica a pergunta: mudará alguma coisa? Acredito piamente que não. Tapar o sol com a peneira eu já estou cansado. Eu quero o dedo na ferida, mas isso causa dores incômodas como nunca antes na história deste país.   

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de The Trooper do Iron Maiden.



Escrito por SGT. PIMENTA às 20h01
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OS OLHOS DA CENSURA

 

 

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

As vezes penso que vivemos na melhor das épocas. Explico. É tanta ideia boa, tantos pensamentos geniais, tantos nobres valores que me pergunto como se vivia antes sem tais hábitos. Semana passada tive uma prova incontestável disto. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, aquela cuja secretária fora a campeã de gastos com cartões corporativos (Matilde Ribeiro, suplente na candidatura afro-neonazista do Netinho de Paula), mandou parecer condenando o uso do livro Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato, cujo título é utilizado em escolas do Distrito Federal. Ainda bem que somos protegidos de nocivos autores à nossa cultura. O que seria das futuras gerações se lessem estes livros de conteúdo nitidamente racista. Livros que servem apenas para estereotipar o negro como um ser subserviente ao branco. Um absurdo! Quem este tal de Monteiro Lobato pensa que é? Algum grande escritor de literatura infanto-juvenil? Não só isso, ele deve se achar o maior deles. Coitado, começou ontem. Mas ainda bem que os competentes e democráticos profissionais da Secretaria da Igualdade Racial nos defenderam deste malvado escritor! Já pensaram se isto fosse verdade? Pois não é que num foi, sô!

Semana passada a tal da secretaria realmente recomendou a proibição de Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato. Nele, há um trecho em que a Tia Nastácia, aquela sra gorda e...vou falar baixo...ne-negra...NEGRA NÃO! AFRO-DESCENDENTE! Enfim, o trecho, em que Tia Nastácia que para fugir de um ataque de onças sobe em um mastro, diz “que nem macaca de carvão”. Que heresia! Pois é caríssimo leitor, agora Monteiro Lobato é considerado inadequado para crianças. Só faltam dizer que leite materno faz mal. O escritor em questão é só o maior escritor do gênero infanto-juvenil brasileiro em todos os tempos. Sua obra, antes do modernismo – movimento o qual Lobato condenou – já trazia as lendas e o folclore brasileiro. Com Lobato, os jovens leitores tiveram contato com o Saci- Pererê, a Cuca, a culinária, a fauna entre outros elementos de nossa cultura. Lobato também colocou a mulher como protagonista bem antes dos sutiãs serem queimados. Afinal quem é que mandava no Sítio do Pica-pau Amarelo?

A verdade é que um fato como esse demonstra como o tal do politicamente correto vem minando o bom senso em muitos casos. O problema é que essas medidas “politicamente corretas” surgem dentro da filosofia de tampar o sol com a peneira. Para que melhorar a educação básica? Criemos cotas para estudantes de escola pública. Para que promovermos uma inclusão social verdadeira, ampla e democrática? Criemos cotas para negros em universidades e concursos. E assim descaminha a humanidade. Está certo que no passado houve muitos erros no trato com as minorias. Mas isso não pode ser encarado como “vamos nos vingar”, ou alguém duvida de que uma tentativa de proibir Monteiro Lobato para crianças trata-se de uma leitura cega e rancorosa da questão. Lembremos também que o livro foi escrito em 1933, uma época sem muito politicamente correto e que citações a negros carregavam heranças de uma abolição que ainda não havia completado 50 anos. Partindo da premissa dos geniais membros da Secretaria da Promoção do Racismo, desculpem, da “Igualdade Racial”, devemos também proibir Memórias Póstumas de Brás Cubas, afinal o que Brás Cubas fazia com aquele escravo; O Cortiço, para redimirmos a negra Bertoleza; A Vida Como Ela É, onde já se viu, escravo etíope...   

 

O SARGENTO

Este post foi feito ao som de Look At Last Night do Slade.

 

OBS: O MEC (Aquele do ENEM) vetou a censura ao livro do Monteiro Lobato. Ufa!



Escrito por SGT. PIMENTA às 20h36
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DORMINDO COM O INIMIGO

 

 

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Vamos começar o texto com um lugar comum? Então vamos: ontem, pela primeira vez, foi eleita a primeira mulher presidente da história do Brasil! Pronto, passada a euforia, analisemos a coisa como ela é. Primeiro que, fosse a Dilma, fosse o Tiririca ou a minha cachorra, qualquer um que o Luis Inácio apoiasse ganharia o pleito. Só o Luis Inácio é eufemismo, porque, que eu me lembre, nunca vi um presidente empenhar-se tanto em uma eleição como vimos este ano. Segundo que o adversário, não tenham dúvidas, não colaborou muito para causar problemas para a candidatura da petista.

Passada a excitação da vitória vamos aos fatos: o governo de Dilma será como foi a campanha: nenhuma novidade, nada a acrescentar. Explico. A ordem vigente, fosse Dilma ou o Zé Serra, seria mantida com pompa e circunstância. Lula entra para a história como o cara que tirou não sei quantos da miséria. Sim é verdade. Mas não sei quantos outros, que já eram muito bem de vida, ficaram melhores ainda. As grandes instituições financeiras e empresariais também melhoraram muito de vida. E estas mesmas instituições patrocinaram – as fartas – a campanha de Dilma, que nada mais é do que uma boa representante deles lá.

Dilma tomará posse com uma folgada e assustadora maioria no legislativo. O que ela quiser aprovar certamente será aprovado. Em um país como o nosso isso cheira a queimado. Mas Dilma terá um grande problema: o PT. Como assim Sargento? O PT não é o partido dela?! Sim. Mas ela não é petista de berço. Ela é oriunda do PDT, só entrou no Partido dos Trabalhadores em 2001. Então imagine gente como Zé Dirceu e Palocci vendo outras estrelas subindo e eles relegados a um segundo plano. Sim, porque se não tivesse acontecido o mensalão, o presidente hoje seria José Dirceu, o grande cacique do PT. Desde 2002 isto já estava previsto. Lula vence, em 2006  reelege-se e em 2010, coroando toda a luta dos companheiros, Zé Dirceu recebe a faixa do Luis Inácio. Só que teve Roberto Jeferson, mensalão... e Dilma ascendeu meteoricamente dentro do clã petista e, cinco anos depois, sagra-se presidente do país. Por isso este velho militar vaticina: o grande problema de Dilma serão os pitbulls petistas. Se estes forem contidos, ela terá todas as condições de promover as mudanças que este país necessita. Mas Sargento, o vice dela não é o Michel Temer? Ih, é mesmo. Então reforma política, tributária e previdenciária deixemos para o próximo. Mas como a tendência é o Luis Inácio voltar em 2014, deixemos para quem venha em 2018. Mas aí tem reeleição, tem PMDB na fita, tem interesses de perpetuação no poder, tem...

 

O SARGENTO VOTOU NULO

Este post foi feito ao som de Misere Nobis  do Gilberto Gil.



Escrito por SGT. PIMENTA às 12h41
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O BRASIL QUE SAI DAS URNAS

 

Saudações Caríssimas e Caríssimos

Pois é, conhecemos um pouco da cara do Brasil que teremos para os próximos 4 anos. E confesso uma coisa: não é que eu fiquei satisfeito! Você tá louco Sargento! O Tiririca foi eleito com mais de 1 milhão de votos! Tudo bem caríssimo leitor, até aí isso não foi novidade. O sr. RRota na RRua na última eleição foi o deputado mais votado aqui em SP. Nesta, mesmo Ficha-Suja, Maluf teve 400 mil votos. Mas algo de muito positivo aconteceu nesta eleição. Estou falando do franco processo de decadência pelo qual o PFL (aquele que tenta apagar seu passado sujo mudando de nome para DEM) vem passando. A maré brava começou em 98 – faz tempo – quando o partido rompeu com FHC por causa de um deslize de seu cacique-mor, ACM (vulgo Toninho Malvadeza). Lembro de um amigo meu que comentou à época que aquela era a primeira vez, desde as Capitanias Hereditárias, que o PFL saia do governo, governo esse que o partido freqüentou desde os tempos da República Velha quando ainda nem existia. Tempo vai, tempo vem, e as oligarquias reciclaram-se, trocaram as maquiagens, mas estavam sempre lá, fuçando descaradamente na bolsa da viúva. O PFL, até a briguinha com FHC, representava o que o PMDB faz hoje, ou seja: é melhor estar comigo porque sem migo...

Mas uma coisa é preocupante: se a Dilma ganhar, seu governo terá uma maioria absoluta na Câmara e uma quase unanimidade no Senado. Como cabe a esses fiscalizar o governo, como é que fica com o fiscal sendo sua comadre? No mínimo esquisito. O lado ruim de certas forças perderem poder é a questão de que o outro lado fica com muita força e isso em uma democracia é insalubre.

Falando em unanimidade, fiquei deveras satisfeito em ter segundo turno. Pois se a Dilma chegasse com este legislativo amplamente favorável, aliado a uma retumbante vitória nas urnas, poderíamos decretar o fim da República e a volta para o império. Já pensou uma corte formada pelo Visconde Palocci, o Marquês Genoíno, a Baronesa Marta e o Duque Zé Dirceu? Só faltaria o conde Drácula.

Outra satisfação foi a derrota do candidato racista-pagodeiro-agressor de mulheres–desequilibrado mental Netinho de Paula. De todos os candidatos (celebridades instantâneas, atrizes pornô, palhaços...) esse era, disparado, o mais assustador. Primeiro que o cara possui todos os predicados que eu mencionei. Tudo comprovado. Segundo que o sujeito não queria ser só um deputado. O malandro queria ser senador e pelo estado mais importante do país. Eu que prego há anos o voto nulo, tive que desta vez me abster desta opinião a dar meu voto a Aloysio Nunes. Você votou no PSDB Sargento!? Sim. Para evitar a tragédia de Netinho da Gente chegar ao senado, valia até votar no Satanás em pessoa. Bem, votar no PSDB foi quase isso...

Apesar de minha leve satisfação com as urnas, tive que lembrar que estou no Brasil. E isso foi flagrante na eleição de Geraldo Alckmin ( o mais incompetente político brasileiro) em 1º turno, de Roseana Sarney também ser eleita em 1º turno e seu irmão ter sido disparado o Deputado mais votado naquele estado...qual será mesmo? Em Alagoas, o deputado federal mais votado foi: Renan Calheiros...Filho!!! Fora os Romários, Tiriricas, a Mulher do Joaquim Roriz, Zeca Dirceu, Bruna Furlan...

È como dizem: alegria de pobre dura pouco.

O SARGENTO VOTA NULO

Este post foi feito ao som de Menina Mulher da Pele Preta do Jorge Ben

 



Escrito por SGT. PIMENTA às 08h54
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POR QUE NÃO VOTAR EM DILMA?

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Hoje continuo a série “Por que não votar em...” estrelando ela, a líder, a sucessora do home: Dilma Rousseff. O porque de não votar em Dilma não é quebra de sigilo fiscal ou coisa do gênero. Até porque os tucanos detonaram Roseana Sarney em 2002 de maneira não muito honesta também. A questão de Dilma é a tal da unanimidade. Ela é algo que o brasileiro não conhece e quem conhece um pouco mais não aprova, mas por quê? Será que é porque finalmente aquele pessoal que fundou o PT há 30 anos, que sonhou com um Brasil socialista, uma cuba sul-americana, o pessoal que não tinha apelo popular e que viu naquele operário barbudo a passagem para chegar ao poder. Mas a sociedade via tudo àquilo como algo temeroso. Sendo assim, preferiu Collor e depois FHC. Mas em 2002 finalmente eles conseguiram. No princípio esse pessoal fundador do PT achou que o Lula fosse ser apenas uma figuração, não contavam que o home liderasse um movimento que hoje é a grande mania nacional, o lulismo, uma mania perigosa.

Que paradoxo, o lulismo existe hoje graças a FHC. Se não fosse a política econômica implantada pelos tucanos – Plano Real, metas de inflação, lei de responsabilidade fiscal – Lula não desfrutaria de sua enorme popularidade. Não que o home não tenha seus méritos, isso fica para outro post, mas que a eleição de Dilma não representa um bom sinal, isso é patente. Como escrevi lá em cima, a ascensão de Dilma à presidência representa a chegada do verdadeiro PT ao poder. Um partido fisiologista, centralizador e avesso a contestações. Então some a isso a enorme popularidade coroada com a provável eleição de Dilma no 1º turno. Então este velho militar afirma que o próximo governo tentará minar alguns elementos da democracia, dentre eles a liberdade de imprensa, para ao final eternizar-se em Brasília. Alternância no poder é fundamental para a democracia e para a saúde mental de um povo. Durante o governo Lula já se tentou fazer isso através da Lei da Mordaça, uma lei que pregava o controle dos veículos de comunicação. Em outras palavras: censura. Impossível, o PT lutou pela redemocratização do país! Sim, mas na oposição o PT era contra o Plano Real e o Bolsa-Escola, já no poder...

Por isso recomendo não votar na candidata petista tendo em vista os perigosos membros de sua cúpula – Zé Dirceu, Berzoinni, Palocci – e os sinistros aliados – Sarney, Renan, Collor, Sergio Cabral – uma gente que pretende manter o establishment que os sustenta, sistema esse que não nos ajuda muito e principalmente pelos objetivos de eternização no poder. Ah, mas muita gente gente saiu da pobreza, muita gente comprou casa, carro... Sim, concordo, mas tudo isso é perfumaria perto do que os banqueiros, os grandes empresários e afins ganharam. Fora a ilusão do Brasil Grande que andam vendendo por aí. Brasil Grande que desmorona toda vez que eu vejo as creches lotadas de crianças sem família, as escolas falidas, os meninos nos semáforos, PCC, Big Brother, Unimonte...

 

O SARGENTO VOTA NULO

Este post foi feito ao som de Eternal Lies do Korzus.



Escrito por SGT. PIMENTA às 18h46
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POR QUE NÃO VOTAR EM SERRA?

Saudações Caríssimas e Caríssimos

 

Hoje inicio a sèrie “Por que não votar em...” dado a total fantasia criada em torno dos principais candidatos. É uma que se vende como um clone do atual mandatário, outra que só tem um assunto em pauta e o alvo de hoje, é aquele que se vende como o único ser competente da política. Estamos falando do tucano José Serra.

Por que não votar em Serra? Oras, vamos aos fatos: José Serra pertence a nata do PSDB, aquele mesmo partido que adora privilegiar o seu grupelho composto por membros das mais altas cortes de diversos setores nobiliárquicos do país (leia-se toda a grande imprensa paulista, quatrocentões diversos e demais pessoas ditas “bem-nascidas” e bem perfumadas). Este grupelho, quando o PT chegou ao poder, foi tirado do comando e está babando para voltar. Não se conformam que “a gentinha” é quem dita as ordens. Mas nos centralizemos na figura de José Serra. O cara gosta de vender a imagem de que é um “eficiente gestor”. De fato, ele vê tudo como meros números. Vejamos a educação em seu governo no estado de S. Paulo. O cara, com a ajuda de seu grupelho, vendeu que o grande culpado pelo fracasso da educação pública era o professor. As salas de aula com 40 alunos, a fakta de um plano de carreira efetivo para o magistério, os prédios caindo aos pedaços, a falta de segurança... isso para Serra não tem importância, a culpa é somente do professor. Sendo assim “o gestor eficiente” desvalorizou os docentes e continuou com a mesma – incipiente – estrutura, uma verdadeira fábrica de futuros delinqüentes e profissionais sem a menor qualificação. Mas todos com insino mediu compreto.

As rodovias de S. Paulo são vendidas como as melhores do país. Também, com o pedágio mais caro do Brasil (preços mais altos do que na europa) até o Tiririca faz!

Agora imaginemos Serra na presidência: primeira dedução, o cara vai aumentar o tempo de contribuição para o trabalhador aposentar. A exploração da camada Pré-Sal será totalmente entregue nas mãos privadas de pessoas ligadas ao grupelho tucano. Os serviços públicos, tal qual o PSDB faz há 16 anos seguidos em S. Paulo, serão sucateados – mais do que já são – para favorecer empresários que ofereçam os tais serviços de modo privado.

Para finalizar, José Serra tem uma postura centralizadora, intolerante, intransigente e fria. Para ele e para os seus companheiros tucanos, a vida se resume em números. Números esses que devem ser cortados ao máximo (logicamente que os cortes são na saúde, educação, segurança). Quem acompanhou o governo Serra em S. Paulo, sabe disso. Alunos e professores viram números; médicos e pacientes viram números; policiais e PCC também se tornam numerais. Aí cabe a pergunta: isso é governar para o povo ou administrar o estado, que é feito de pessoas, como uma grande empresa? Claro que a moderna empresa eficiente em gestão é para a ralé, para o grupelho vale os velhos mandamentos da política nacional como privilégios, apadrinhamentos, alto$ e$quema$.

Portanto saiba que José Serra na presidência representará a volta daquele ridículo pessoal que criou o tão quanto patético movimento “Cansei”. Aqueles que se cansaram de assistir o poder da janela e que estão loucos para voltar e mandar a quem eles acham de direito, direto para a cozinha. PSDB de volta? Quem sabe na próxima com Aécio Neves. Com José Serra nunca, jamais, em tempo algum.

 

O SARGENTO VOTA NULO

Este post foi feito ao som de Metropolis do Kraftwerk



Escrito por SGT. PIMENTA às 17h54
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